Confira dez dicas para abrir um bom negócio na internet

A reportagem conversou com Márcio Cots, advogado especializado em tecnologia da informação, do escritório Cots Advogados, de São Paulo, e com Evandro Paes dos Reis, professor da Business School São Paulo (BSP). Os especialistas listaram dicas de como abrir um negócio na internet.Pode parecer fácil, mas abrir um negócio na internet requer dedicação e preparo para enfrentar o desafio. Para não perder tempo e investimento, algumas dicas podem ser valiosas na hora de montar um empreendimento virtual.

1) Filosofia da internet Segundo o professor da BSP, não há receita certa que defina se um negócio será viável ou não no meio eletrônico. No entanto, a ideia do empreendimento deve, no mínimo, estar de acordo com os pilares da «filosofia da internet». «A conquista e manutenção do cliente, a venda do produto ou serviço e a entrega devem depender totalmente da internet. É isso que diz a ¿filosofia da internet¿. Claro que, na situação de venda de produtos, a entrega dependerá de outros meios, mas a venda e a conquista do cliente devem ser totalmente online», afirma.

2) Qualidade da plataforma O empreendedor deve se preocupar em lançar uma plataforma tecnológica de qualidade, que possa dar suporte e atender à demanda dos internautas. Evandro afirma que algumas empresas acabam sendo vítimas de seu próprio sucesso. «Se a ideia do empreendedor der certo, mas a plataforma não suportar o número de acessos ou a demanda dos consumidores, ele corre o risco de colocar um bom negócio a perder, explica.

3) Know-how Dominar as tecnologias é vital para o empreendedor que quer entrar no meio. «Não adianta só entender do negócio, o empreendedor deve ter conhecimento em tecnologia. Caso essa não seja a área dele, o ideal é ter sócios que tenham essa experiência», indica o professor da BSP.

4) Investimento De acordo com Evandro, o investimento inicial para a abertura de um negócio na internet não deve ser alto. «O empreendedor deve investir até o protótipo. Quando o negócio já estiver no ar, ele vai mensurar se vale a pena ou não dar continuidade aos investimentos e quais as modificações que o projeto precisa sofrer.»

5) Abertura da empresa Para Márcio, muitas operações online acabam tendo início antes que a empresa seja oficialmente criada, mas há um grande risco nessa decisão. Quando o negócio não existe na formalidade, o empresário se torna responsável, como pessoa física, por todas as dividas e complicações que possam aparecer no futuro. Deste modo, todos os seus bens pessoais estarão à disposição.

Na formação da empresa, o empreendedor deve registrar todos os sócios. O contrato assegura os direitos e deveres dos envolvidos.

6) Planejamento tributário O advogado alerta para a escolha do regime tributário que a empresa vai se enquadrar. É importante o empreendedor fazer algumas análises antes de tomar a decisão. «Não existe uma receita certa, cada negócio tem suas especificidades. Cabe ao empreendedor enxergar onde ele se encaixa», afirma. «Por exemplo, para o empreendedor que sabe que no primeiro ano de empresa ele terá mais investimento do que lucro, o ideal seria optar pelo sistema de lucro real.»

7) Propriedade intelectual O empreendedor deve se preocupar em registrar a marca que ele cria e os materiais que usa no site. O uso de fotos, textos e outros materiais sem autorização é proibido e pode afetar a empresa, explica Márcio. E a falta de registro da marca pode fazer com que o empreendedor perca uma ideia inovadora.

8) Análise do risco jurídico Algumas ideias muito boas podem acarretar problemas jurídicos. Márcio indica que o empreendedor procure um advogado para saber se o negócio é juridicamente viável e quais seriam as vulnerabilidades que o modelo teria perante a lei.

9) Quadro de funcionários Segundo o advogado, outro pecado cometido pelas pequenas empresas que apostam na internet é a irregularidade no momento de contratar funcionários. «Existem maneiras de contratar sem tantos encargos e dentro da lei, como por meio de cooperativas. Nesse meio existe um alto índice de mão de obra irregular e isso pode prejudicar a empresa.»

10) Agregar valor ao negócio Para Márcio, estar dentro da lei vai muito além de obedecer normas. Todos esses cuidados agregam valor ao negócio e o tornam mais confiável, tanto para o consumidor, quanto para possíveis investidores. «Imagine que um empreendedor possua um negócio na internet muito promissor e que alguns investidores se interessem pela ideia. Se ele estiver com irregularidades, não vai conseguir a oportunidade», finaliza o advogado.